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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Do que um cão precisa?


 CONSCIÊNCIA ANIMAL - MARCELA GODOY

 "Será que o cão tem espírito? – perguntou-me o filho do meio. Olhei para ele surpreendido. E acabei por responder: – Não sei se nós próprios temos espírito ou se é o espírito que nos tem ou está em nós. – É isso que eu queria dizer. Olha para ele. Era um fim de tarde de Agosto, o cão estava parado em frente ao mar, o pêlo muito luzidio, a cabeça levantada, narinas abertas, sorvendo o ar. – Ele está a cheirar o espírito. O espírito da terra, o espírito do vento, o espírito das águas”. (Manuel Alegre).

 Se os cães tem ou não espírito é discutível para algumas pessoas. Para mim é fato: eles possuem um espírito conectado com sua mente e corpo.

Continue lendo aqui.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

TESTAMENTO DE UM CÃO


As minhas posses materiais são poucas e eu deixo tudo para ti...
Uma coleira mordida numa das extremidades, com falta de dois botões, uma desajeitada cama de cão e uma tigela de água com uma fenda.
Deixo-te metade de uma bola de borracha, uma boneca rasgada, que vais encontrar debaixo do frigorífico, um ratinho de borracha sem apito, que está debaixo do fogão e uma porção de ossos enterrados no canteiro de rosas e sob o soalho da minha cama. Além disso, deixo-te memórias que, aliás, são muitas.
Deixo-te a memória de dois enormes olhos castanhos, a memória de uma caudinha curta e espetada, de nariz molhado e de choradeiras atrás da porta.
Deixo-te uma mancha no tapete da sala de estar junto à janela, quando nas tardes de inverno eu me apropriava daquele lugar como se fosse meu e me enrolava como uma bolinha a apanhar sol.
Deixo-te um tapete esfarrapado em frente à tua cadeira favorita, o qual nunca foi arranjado com o tipo de linha certo, essa é a verdade. Mordi-o todinho quando tinha 5 meses, lembras-te?
Deixo-te também a memória da primeira palmada que apanhei e também todo o meu esquecimento.
Deixo-te um esconderijo que fiz no jardim, debaixo dos arbustos perto da varanda da frente, onde eu encontrava asilo durante aqueles dias de verão. Ele, agora deve estar cheio de folhas e, por isso, talvez tenhas dificuldades em encontrar-me. Sinto muito!
Deixo também, e só para ti, o barulho que eu fazia quando corria sobre as folhas de Outubro, quando passeávamos pelo bosque.
Deixo ainda a lembrança de momentos pelas manhãs quando saíamos juntos pela margem do rio e tu me davas aqueles biscoitos de baunilha. Recordo-me das tuas risadas, porque eu não conseguia alcançar aquele coelho impertinente.
Deixo-te como herança a minha devoção, a minha simpatia, o meu apoio quando as coisas não andavam bem, os meus latidos quando levantavas a voz aborrecido... e a minha frustração por ralhares comigo todas as vezes que eu colocava o nariz debaixo da cauda.
Eu nunca fui à Igreja e nunca escutei um sermão, no entanto, mesmo sem ter falado sequer uma palavra em toda a minha vida, deixo-te um exemplo de paciência, de amor, de dedicação e compreensão.
A tua vida tem sido muito mais alegre porque eu existi.

Desconheço a autoria.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sou teu cão


“Eu sou aquele que te espera.

O teu carro tem um som especial e eu posso reconhecê-lo entre mil.

Os teus passos tem um timbre de magia, eles são música para meus ouvidos.

A tua voz é o sinal maior do meu momento feliz. E às vezes tu nem precisas falar…

Eu ouço a tua tristeza, eu sinto a tua alegria. Como isso me faz feliz!

Eu não sei o que é cheiro bom ou mal. Só sei que o teu cheiro é o melhor.

De algumas presenças eu gosto. De outras, não! Mas a tua presença é a que movimenta os meus sentidos.

Tu acordado me despertas. Dormindo és meu Deus em repouso. E eu velo teu sono. Teu olhar é um raio de luz quando percebo teu despertar.

As tuas mãos sobre mim tem a leveza da Paz. E quando tu sais, tudo é vazio outra vez…

Eu volto a esperar sempre e sempre.

Pelo som do teu carro.

Pelo teus passos, pela tua voz.

Pelo teu estado às vezes inconstante de humor.

Pelo teu cheiro.

Pelo teu sono sob minha vigília.

Pelo teu olhar, pelas tuas mãos.

Eu sou feliz assim… EU SOU TEU CÃO.”

Autoria desconhecida


Lambeijocas do...


...e da...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Apelo de um Cão



Trate-me gentilmente, meu querido amigo, pois nenhum coração em todo o mundo é mais agradecido pela amabilidade do que o meu coração amoroso.



Não machuque minha alma com pancadas, apesar disso, lambo suas mãos entre os golpes. Sua paciência e compreensão irão mais rapidamente ensinar-me coisas que eu devo aprender.



Fale comigo constantemente, porque sua voz é para mim a mais doce música do mundo, como você deve saber pelo abanar da minha cauda quando os meus ouvidos escutam os seus tão esperados passos.



Por favor, coloque-me para dentro quando estiver chovendo e com frio, pois sou um animal doméstico e não estou acostumado as intempéries.



Eu não tenho honra maior do que o privilégio de sentar-me aos seus pés.



Mantenha meu potinho cheio de água fresca, pois não posso dizer para você quando estou com sede.



Alimente-me com comida limpa para que eu possa estar bem e saudável para brincar, acompanhá-lo nas suas caminhadas e estar alerta e capaz de defendê-lo com a minha própria vida, se a sua estiver em perigo.



E, meu amigo, quando eu estiver muito velho, e não gozar mais de boa saúde, nem boa audição e visão, não faça esforços heróicos para manter-me aqui.



Por favor, perceba que minha vida dedicada está indo suavemente. Eu devo partir desta terra sabendo que a última respiração que eu arranquei deste meu ser esteve sempre a salvo em suas mãos.



Autoria Desconhecida

Tradução: Lenita Ouro Preto
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